Um pouco mais, um pouco menos, não faz diferença. As marcas continuam aparecendo. O tempo pode ser sábio, mas sabe, também, ser cruel. Não me queixo, pelo contrário, vejo o lado positivo.
Apesar de não ser mais uma menina (pele lisinha de adolescente) tenho um pouco mais de experiência (eu disse um pouco), e consigo perceber nuances em pequenas palavras, pequenos gestos, que, aparentemente, poderiam passar sem serem notados.
Aprendi a observar mais, falar menos, mesmo quando preciso engolir o que gostaria de dizer, ou quando falo por impulso, deixando que a emoção domine a razão. A ser mais generosa com os outros e mais dura comigo mesma, porque erro demais. Caminhar com cautela, para evitar novos tropeços, mesmo tropeçando eventualmente. Sonhar menos, realizar mais, apesar de ainda sonhar em demasia.
A fragilidade da vida fica evidente nas marcas que carregamos. O tempo nos mostra que temos um limite, um prazo de validade. Por isso, apesar de, às vezes, sentir falta do que fui (daquela pele lisinha de outrora), sei valorizar o que sou, ou em quem me transformei e em todas as possibilidades de mudanças que meu rosto e meu corpo poderão carregar de hoje até o final.

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