PERMEANDO MEUS SONHOS...
Mês: Março. Ano: 2010. Dia da semana: quarta feira. O sol iluminava a terra com seu brilho intenso e seu calor aquecia os corações de todos aqueles que conseguiam perceber o reflexo da intensidade do amor de Deus nas suas criações.
Contradizendo a beleza do dia, uma incômoda e latejante dor de cabeça se fazia presente desde as primeiras horas da minha manhã. Meu espírito, buscando equilíbrio, tentava mantê-la sob controle e, até o meio da tarde, mostrava-se vencedor. Minhas atividades profissionais exigiam minha atenção. Muito embora a vontade ferrenha à qual me agarrava, em milésimos de segundo, de forma súbita e sem aviso prévio, a dor explodiu e, atordoada, vi-me obrigada a abandonar minha rotina de trabalho e buscar refúgio em meu lar. Zonza, engoli um analgésico e mergulhei em meu leito, qual náufrago exausto busca a segurança das areias de uma praia tranqüila, não sem antes ajustar o despertador de meu celular para as 18 horas. Afinal, com ou sem dor, era um dia especial: quarta feira, dia de atendimento na Casa Espírita onde, bondosamente, Deus proporciona-me o bálsamo da oportunidade de trabalho.
Mal grado meu, ao despertar, raramente retenho as lembranças de minhas andanças espirituais. No entanto nesta quarta feira, contradizendo todas as pregressas experiências de minha atual encarnação, as imagens ficaram nitidamente gravadas em minha mente.
Acomodei-me no leito e perdi a noção de tempo e espaço. Meu espírito passou a vagar pelas dimensões espirituais e suas impressões chegavam-me de uma forma clara e intensa.
E, permeando meus sonhos...
Vi-me percorrendo uma estrada maravilhosamente bela. A relva macia transformava-a em um aveludado tapete verde. Flores multicoloridas margeavam-na e seu perfume doce inebriava meus sentidos. O canto dos pássaros, qual orquestra sinfônica regida por Divino Maestro, enchia meus ouvidos e preenchia cada centímetro de meu ser e do ambiente em que me encontrava. Meus pés pareciam deslizar, conduzindo meu corpo com tal leveza que a sensação de flutuação era superior ao movimento instintivo da coordenação motora.
Em meio ao enlevo que me dominava, gemidos chamaram minha atenção. Voltando-me para a direita, vislumbrei uma mão enlameada que surgia do chão, num mudo apelo de socorro. Sem pensar duas vezes segurei-a e, puxando-a doce, porém firmemente, deparei-me com um ser coberto de lama, irreconhecível sob todos os aspectos, salvo quanto à forma humana desenhada sob a montanha de imundícies que o recobriam. Seus soluços falavam de uma dor intensa e a força com que segurava minha mão traduzia todo seu desespero.
Passei meu braço carinhosamente sobre seus ombros e, com o coração apertado pela compaixão, convidei-o a falar dos motivos de seu pranto. Durante muito tempo, disperso na lacuna totalmente diversa da dimensão em que me encontrava, ouvi relatos de escuridão, frio e sofrimento... de ares irrespiráveis, inadequados aos pulmões humanos... de gritos de desespero e gemidos que pareciam surgir das entranhas da terra... de misérias inimagináveis e dores imensuráveis. Tomada pela emoção e buscando consolá-lo, convidei-o a caminhar ao meu lado no que designei “meu caminho”.
- “Venha conhecer o outro lado da existência: a parte banhada pela Luz”, disse-lhe eu, convite prontamente aceito numa muda entrega que só a ausência total de alternativas, aliada ao leve fio de esperança que ainda alimentava seu coração, justificava.
Seguimos, então, lado a lado e de mãos dadas pelo caminho florido, enquanto eu ia chamando sua atenção para as belezas Divinas que nos rodeavam e para o imenso amor de Deus que vislumbrávamos através delas. Falei de paz, de luz e de amor. Ele seguia calado e reflexivo ao meu lado e, de quando em quando, a pressão de seus dedos se fazia mais intensa, como se tentasse, desesperadamente, agarrar-se à nova realidade que lhe se descortinava através das minhas palavras, parecendo querer retê-las na concha de suas mãos.
Esporadicamente ao longo desse caminho, irmãos de vivência, sorridentes e felizes, se aproximavam e nos abraçavam carinhosamente, num cumprimento fraterno e amoroso. Às primeiras aproximações, ele se mostrou nervoso, temeroso e arredio, mas na medida em que avançávamos, passou a receber mais naturalmente essas demonstrações de afeto, apesar de parecer sempre um tanto quanto constrangido.
E assim, com sensações intensas permeando meus sonhos, prosseguimos por um determinado lapso de tempo, cuja equivalência se perde nas raias da minha mente humana.
Quando o percebi mais sereno e aberto às verdades da vida, sentei-me na relva e convidei-o a fazer o mesmo. Ele prontamente atendeu e, acomodados em um chão que parecia almofadado, disse-lhe que era chegado o momento da separação, onde cada um passaria a seguir o próprio caminho. Suas mãos buscaram sofregamente as minhas, numa urgência que traduzia toda sua angústia. Parecia atribuir a mim seu porto seguro. Ainda não havia percebido que uma encruzilhada se abrira à sua frente e que dependia única e exclusivamente dele o permanecer em segurança através da escolha da direção a ser tomada. Falei-lhe então, de livre arbítrio, essa dádiva Divina com que Deus nos dá a oportunidade de escolhermos, a cada passo, o nosso caminho. Falei-lhe da Lei de Causa e Efeito, mostrando-lhe que o exercício de nosso livre arbítrio nos traz a colheita conforme nossa semeadura. Falei-lhe da bondade Divina, que sempre nos proporciona um novo recomeço e, através das reencarnações sucessivas, nos traz a chance da evolução e dos resgates. Pedi-lhe que refletisse sobre o caminho que havíamos partilhado naqueles breves momentos. Que lhe recordasse a luminosidade, o aroma, a beleza, e o comparasse ao caminho do qual havia sido resgatado. Conscientizei-o que cada um deles era o resultado de nossas ações e atitudes.
Falando, sentia o amor e a gratidão pelo Criador crescendo cada vez mais dentro de mim. Uma avalancha de sentimentos inundou meu peito, acompanhando as lágrimas de emoção que se derramavam pela minha face numa intensidade indescritível. Isso tudo, permeando meus sonhos...
Então, olhando-o intensamente nas órbitas que se vislumbravam sob a lama, mostrei-lhe que havia chegado o momento de mais uma escolha. Focalizando a encruzilhada à nossa frente, vislumbramos em uma das estradas a continuidade do caminho que estávamos percorrendo e, na outra, uma íngreme descida que o reconduziria ao abismo do qual havia sido momentaneamente resgatado, por benção e caridade Divinas.
Antes da escolha que marcaria uma nova etapa em sua existência, convidei-o a uma prece de agradecimento pelas sempre presentes oportunidades que Deus nos proporciona...
... de um novo recomeço...
... de muitas novas chances para reescrevermos nossa história...
... das oportunidades de galgarmos sempre mais um e mais um degrau em nossa escada evolutiva...
... pelos maravilhosos exemplos dos que nos precedem...
... da responsabilidade que temos para com os trilham o Caminho à nossa retaguarda...
... da dádiva de compartilharmos cada etapa de crescimento com os que nos cercam...
... e dos braços sempre estendidos de nosso Pai, mesmo quando nossas atitudes nos levam à lugares onde se ouvem “choros e ranger de dentes”.
E então, permeando meus sonhos, sob meus olhos maravilhados, mais uma obra de Deus se fez visível. A lama, gradativamente, começou a sumir, dando lugar a um jovem cujas feições, outrora notadamente belas, encontravam-se profundamente brutalizadas pelo sofrimento e pela dor. O brilho de seus olhos traduzia o reconhecimento da loucura ao mesmo tempo em que falavam de esperança e fé.
Levantei-me e apontei-lhe a bifurcação à nossa frente. Ele também se levantou e depois de um longo e carinho abraço, prosseguiu em direção ao caminho florido...
Despertei com o coração e o corpo leves, sob a influência dos sentimentos que haviam tomado meu espírito. Abençoadamente, a dor sumira. Tomei a direção do chuveiro e, depois de um banho demorado e relaxante, preparei-me para mais algumas horas de trabalho na seara bendita de nossa Casa Espírita.
Os trabalhos começaram normalmente e já minha mente, um tanto quanto ingrata, havia esquecido os momentos maravilhosos vividos à tarde, mergulhando na concentração que buscava melhor atender as atividades que se apresentavam.
E assim, na maravilhosa rotina que disciplina nossas atividades, chegamos ao final de mais uma noite de atendimentos. Procedeu-se, então, o encerramento dos trabalhos através de doce prece exarada pelos lábios do irmão encarregado pela preleção da noite e que tão bem traduzia a gratidão que alimentava nossos corações.
Uma de minhas irmãs que, através de mensagens psicografadas, costuma trazer-nos pérolas de orientação e incentivo, mostrava-se extremamente comovida em decorrência da mensagem daquela noite.
Costumeiramente, ao final de cada noite de trabalho, juntamo-nos num círculo, unidos em um abraço fraterno, onde agradecemos pelas oportunidades e, ocasionalmente, ouvimos a mensagem que nos foi enviada por nossos amigos espirituais. Atipicamente, minha irmã me estendeu a folha de papel, pedindo-me que a lesse, pois sua voz embargada impedia que procedesse a costumeira leitura.
De uma folha de papel de rascunho, escrita a lápis, constava a seguinte mensagem:
Mês: Março. Ano: 2010. Dia da semana: quarta feira. O sol iluminava a terra com seu brilho intenso e seu calor aquecia os corações de todos aqueles que conseguiam perceber o reflexo da intensidade do amor de Deus nas suas criações.
Contradizendo a beleza do dia, uma incômoda e latejante dor de cabeça se fazia presente desde as primeiras horas da minha manhã. Meu espírito, buscando equilíbrio, tentava mantê-la sob controle e, até o meio da tarde, mostrava-se vencedor. Minhas atividades profissionais exigiam minha atenção. Muito embora a vontade ferrenha à qual me agarrava, em milésimos de segundo, de forma súbita e sem aviso prévio, a dor explodiu e, atordoada, vi-me obrigada a abandonar minha rotina de trabalho e buscar refúgio em meu lar. Zonza, engoli um analgésico e mergulhei em meu leito, qual náufrago exausto busca a segurança das areias de uma praia tranqüila, não sem antes ajustar o despertador de meu celular para as 18 horas. Afinal, com ou sem dor, era um dia especial: quarta feira, dia de atendimento na Casa Espírita onde, bondosamente, Deus proporciona-me o bálsamo da oportunidade de trabalho.
Mal grado meu, ao despertar, raramente retenho as lembranças de minhas andanças espirituais. No entanto nesta quarta feira, contradizendo todas as pregressas experiências de minha atual encarnação, as imagens ficaram nitidamente gravadas em minha mente.
Acomodei-me no leito e perdi a noção de tempo e espaço. Meu espírito passou a vagar pelas dimensões espirituais e suas impressões chegavam-me de uma forma clara e intensa.
E, permeando meus sonhos...
Vi-me percorrendo uma estrada maravilhosamente bela. A relva macia transformava-a em um aveludado tapete verde. Flores multicoloridas margeavam-na e seu perfume doce inebriava meus sentidos. O canto dos pássaros, qual orquestra sinfônica regida por Divino Maestro, enchia meus ouvidos e preenchia cada centímetro de meu ser e do ambiente em que me encontrava. Meus pés pareciam deslizar, conduzindo meu corpo com tal leveza que a sensação de flutuação era superior ao movimento instintivo da coordenação motora.
Em meio ao enlevo que me dominava, gemidos chamaram minha atenção. Voltando-me para a direita, vislumbrei uma mão enlameada que surgia do chão, num mudo apelo de socorro. Sem pensar duas vezes segurei-a e, puxando-a doce, porém firmemente, deparei-me com um ser coberto de lama, irreconhecível sob todos os aspectos, salvo quanto à forma humana desenhada sob a montanha de imundícies que o recobriam. Seus soluços falavam de uma dor intensa e a força com que segurava minha mão traduzia todo seu desespero.
Passei meu braço carinhosamente sobre seus ombros e, com o coração apertado pela compaixão, convidei-o a falar dos motivos de seu pranto. Durante muito tempo, disperso na lacuna totalmente diversa da dimensão em que me encontrava, ouvi relatos de escuridão, frio e sofrimento... de ares irrespiráveis, inadequados aos pulmões humanos... de gritos de desespero e gemidos que pareciam surgir das entranhas da terra... de misérias inimagináveis e dores imensuráveis. Tomada pela emoção e buscando consolá-lo, convidei-o a caminhar ao meu lado no que designei “meu caminho”.
- “Venha conhecer o outro lado da existência: a parte banhada pela Luz”, disse-lhe eu, convite prontamente aceito numa muda entrega que só a ausência total de alternativas, aliada ao leve fio de esperança que ainda alimentava seu coração, justificava.
Seguimos, então, lado a lado e de mãos dadas pelo caminho florido, enquanto eu ia chamando sua atenção para as belezas Divinas que nos rodeavam e para o imenso amor de Deus que vislumbrávamos através delas. Falei de paz, de luz e de amor. Ele seguia calado e reflexivo ao meu lado e, de quando em quando, a pressão de seus dedos se fazia mais intensa, como se tentasse, desesperadamente, agarrar-se à nova realidade que lhe se descortinava através das minhas palavras, parecendo querer retê-las na concha de suas mãos.
Esporadicamente ao longo desse caminho, irmãos de vivência, sorridentes e felizes, se aproximavam e nos abraçavam carinhosamente, num cumprimento fraterno e amoroso. Às primeiras aproximações, ele se mostrou nervoso, temeroso e arredio, mas na medida em que avançávamos, passou a receber mais naturalmente essas demonstrações de afeto, apesar de parecer sempre um tanto quanto constrangido.
E assim, com sensações intensas permeando meus sonhos, prosseguimos por um determinado lapso de tempo, cuja equivalência se perde nas raias da minha mente humana.
Quando o percebi mais sereno e aberto às verdades da vida, sentei-me na relva e convidei-o a fazer o mesmo. Ele prontamente atendeu e, acomodados em um chão que parecia almofadado, disse-lhe que era chegado o momento da separação, onde cada um passaria a seguir o próprio caminho. Suas mãos buscaram sofregamente as minhas, numa urgência que traduzia toda sua angústia. Parecia atribuir a mim seu porto seguro. Ainda não havia percebido que uma encruzilhada se abrira à sua frente e que dependia única e exclusivamente dele o permanecer em segurança através da escolha da direção a ser tomada. Falei-lhe então, de livre arbítrio, essa dádiva Divina com que Deus nos dá a oportunidade de escolhermos, a cada passo, o nosso caminho. Falei-lhe da Lei de Causa e Efeito, mostrando-lhe que o exercício de nosso livre arbítrio nos traz a colheita conforme nossa semeadura. Falei-lhe da bondade Divina, que sempre nos proporciona um novo recomeço e, através das reencarnações sucessivas, nos traz a chance da evolução e dos resgates. Pedi-lhe que refletisse sobre o caminho que havíamos partilhado naqueles breves momentos. Que lhe recordasse a luminosidade, o aroma, a beleza, e o comparasse ao caminho do qual havia sido resgatado. Conscientizei-o que cada um deles era o resultado de nossas ações e atitudes.
Falando, sentia o amor e a gratidão pelo Criador crescendo cada vez mais dentro de mim. Uma avalancha de sentimentos inundou meu peito, acompanhando as lágrimas de emoção que se derramavam pela minha face numa intensidade indescritível. Isso tudo, permeando meus sonhos...
Então, olhando-o intensamente nas órbitas que se vislumbravam sob a lama, mostrei-lhe que havia chegado o momento de mais uma escolha. Focalizando a encruzilhada à nossa frente, vislumbramos em uma das estradas a continuidade do caminho que estávamos percorrendo e, na outra, uma íngreme descida que o reconduziria ao abismo do qual havia sido momentaneamente resgatado, por benção e caridade Divinas.
Antes da escolha que marcaria uma nova etapa em sua existência, convidei-o a uma prece de agradecimento pelas sempre presentes oportunidades que Deus nos proporciona...
... de um novo recomeço...
... de muitas novas chances para reescrevermos nossa história...
... das oportunidades de galgarmos sempre mais um e mais um degrau em nossa escada evolutiva...
... pelos maravilhosos exemplos dos que nos precedem...
... da responsabilidade que temos para com os trilham o Caminho à nossa retaguarda...
... da dádiva de compartilharmos cada etapa de crescimento com os que nos cercam...
... e dos braços sempre estendidos de nosso Pai, mesmo quando nossas atitudes nos levam à lugares onde se ouvem “choros e ranger de dentes”.
E então, permeando meus sonhos, sob meus olhos maravilhados, mais uma obra de Deus se fez visível. A lama, gradativamente, começou a sumir, dando lugar a um jovem cujas feições, outrora notadamente belas, encontravam-se profundamente brutalizadas pelo sofrimento e pela dor. O brilho de seus olhos traduzia o reconhecimento da loucura ao mesmo tempo em que falavam de esperança e fé.
Levantei-me e apontei-lhe a bifurcação à nossa frente. Ele também se levantou e depois de um longo e carinho abraço, prosseguiu em direção ao caminho florido...
Despertei com o coração e o corpo leves, sob a influência dos sentimentos que haviam tomado meu espírito. Abençoadamente, a dor sumira. Tomei a direção do chuveiro e, depois de um banho demorado e relaxante, preparei-me para mais algumas horas de trabalho na seara bendita de nossa Casa Espírita.
Os trabalhos começaram normalmente e já minha mente, um tanto quanto ingrata, havia esquecido os momentos maravilhosos vividos à tarde, mergulhando na concentração que buscava melhor atender as atividades que se apresentavam.
E assim, na maravilhosa rotina que disciplina nossas atividades, chegamos ao final de mais uma noite de atendimentos. Procedeu-se, então, o encerramento dos trabalhos através de doce prece exarada pelos lábios do irmão encarregado pela preleção da noite e que tão bem traduzia a gratidão que alimentava nossos corações.
Uma de minhas irmãs que, através de mensagens psicografadas, costuma trazer-nos pérolas de orientação e incentivo, mostrava-se extremamente comovida em decorrência da mensagem daquela noite.
Costumeiramente, ao final de cada noite de trabalho, juntamo-nos num círculo, unidos em um abraço fraterno, onde agradecemos pelas oportunidades e, ocasionalmente, ouvimos a mensagem que nos foi enviada por nossos amigos espirituais. Atipicamente, minha irmã me estendeu a folha de papel, pedindo-me que a lesse, pois sua voz embargada impedia que procedesse a costumeira leitura.
De uma folha de papel de rascunho, escrita a lápis, constava a seguinte mensagem:
“Só é necessário ao meu coração contar a todos sobre os lamaçais onde me encontrava. Onde o cheiro era acre e o ar impróprio aos meus pulmões.
Só é preciso contar sobre a dor e sobre o sofrimento, sobre as lágrimas e os gritos que escutei e que dilaceravam meu ser.
O frio e a chuva constantes não me deixavam ver o céu nem o calor do sol chegava até o meu corpo.
Só preciso dizer de meu sofrimento e do sofrimento de tantos outros que continuam presos àquele lugar.
Obrigado pela oportunidade de ver e sentir novamente o calor do sol e o azul do céu.”
À medida que meu cérebro registrava o significado das palavras percorridas pelos meus olhos e verbalizadas pelos meus lábios, senti minha voz falhar sob o impacto das emoções que se sobrepunham... Sonho e realidade... Realidade e sonho... Mundo espiritual e mundo material se intercalando para despertar os céticos, afinal, parafraseando Shakespeare “Há muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia."

1 comentários:
Essa é a nossa Izabel. Emocionante o conto... e verdadeiro... com certeza merecedor do prêmio. Meninas!!!! Pensem em juntar vários contos e lançarem um livro. Talento tem de sobra.... PARABÉNS!!!!
Postar um comentário